Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Li em Junho/2009

Junho rendeu-me bons livros. Apesar da montanha de livros na fila, minha rapidez é inversamente proporcional à quantidade. Leio na velocidade de uma lesma. Confesso que é mais por conta da preguiça do que outro fator. Fazer o que.

Sua resposta vale um bilhão - Vikas Swarup
O melhor das comédias da vida privada - Luis Fernando Veríssimo
Decepcionado com Deus - Philip Yancey

Sua resposta vale um bilhão é um bom livro. Passei boas horas empolgado com a trama, pena que a tradução não seja tão boa quanto poderia ser.
O melhor das comédias da vida privada; risadas, gargalhadas e sacadinhas.
Decepcionado com Deus, reflexão-teológica do Yancey, sempre profunda e bacana.

dia-a-dia

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Diarréia-mental

A idéia inicial era resumir umas três semanas em um post. No entanto, serei menos direto, menos objetivo. Escrevo só, e somente, com o intuito de ter uma diarréia-de-letras. Veremos onde chegaremos - rima tosca.
Primeiramente, reconheço que estou longe de fazer bem uma pesquisa tipo IBOPE. A taxa de respostas às minhas pesquisas corresponderam à, somente, 30% do esperado. Fiquei um pouco angustiado. Talvez, pelo costume diário em receber críticas minha tolerância a palavras duras tenha aumentado significativamente, ou não. Mas agradeço aos poucos que colaboraram de alguma forma, seja por meio dos comentários, seja por meio da enquete-quebrada que fiz. Valeu!
Segunda, um dia ruim. Após filosofadas com o @leandrokamiya via twitter, resolvemos instituir a segunda-feira continuação do fim-de-semana. #sonhomeu.
Terceiramente, rá. Escrever aleatóriamente é engraçado.
Quarta, aniversário do @wilsoniwano, vai a homenagem a esse cara do coração big. Irmão, muitas bençãos na sua vida! #snif.
5º elemento - Filme em que Bruce Willis, blábláblá.
Vida corrida, agitada. Mais perto de ser a "vida inteira que podia ter sido" dobandeira. Sem vaidade.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Diálogos Antológicos

No firulas.
- Moço, como é o nome daquele bolo com calda de chocolate?
- É bolo com calda de chocolate.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Twitting

Por: Prof. Gian

- Gian, entra no Twitter ?
- Não.
- Ah, entra vai ?
- Nãããããooooo...
- Eeeeeeeeentra...
- Tá booooooooooom eu entro !

Elas vêm como os bárbaros, as novas tecnologias. Seja em ondas furiosas, seja infiltrando-se vagarosamente nas fronteiras do cotidiano. Quando damos conta, fomos ultrapassados por elas, perdemos o sentido das coisas. De repente, surgiu um novo mundo, e dele nos vemos inapelavelmente excluídos.

Para evitar o mesmo destino de um Imperador romano (em que pese o discreto charme da decadência), vou-me envolvendo com novas tecnologias ou modismos. Se possível, transformo-os em meu benefício. Do orcúte, tirei a possibilidade de inventar inúmeras identidades, quase todas rigorosamente falsas. Do msn, a possibilidade de quase aposentar o telefone, em que pese minha lista reduzidíssima. Das hoje inevitáveis máquinas fotográficas em celulares, faço o registro de todos os botecos que freqüento (combinando a baixa resolução com a baixa gastronomia). Do twitter... oras, o que me traz o twitter ?

Inicialmente, o troço me pareceu instigante: informar ao universo o que estou fazendo a cada momento do dia. Para o historiador, o registro do cotidiano, mesmo no tempo presente, é uma fonte inesgotável de informações. Para o professor, uma forma de conhecer o universo dos alunos, tornando possível uma maior aproximação através da linguagem, referências, etc... Para o filósofo, a abertura de um campo de investigação existencial. Assim empolgado, entro na rede, supero o asco provocado pelo vocabulário pegajoso (“vc precisa estar logado para receber o primeiro follow”) e sigo em frente. Mas tudo isso para descobrir que, inicialmente, devo deixar de lado por um instante o historiador-professor-filósofo e por em cena o autor do twitter, ou seja, uma pessoa que tem uma vida, e a disposição de divulgá-la.

Aí começam os problemas. Subitamente, percebo que minha vida não tem nada de glamurosa. Um retrato fiel do meu dia (que jamais ousei publicar no twitter), seria algo absolutamente enfadonho:

06h00: acordar
06h26: café da manhã
08h13: em aula... etc.

Claro, sei que posso tentar fazer disso uma Odisséia:

06h00: acordo com os primeiros albores de uma manhã de outono.
06h26: o bravo cearense Agenor me serve mais um café da manhã na padoca.
08h13: revejo os amigos e me entrego ao prazer do trabalho... etc.


Soaria falso. Deixando de lado o registro cotidiano, pensei em usar o twitter para divulgar os insights brilhantes que tenho ao longo do dia, mas, lamento dizer, eles são bem poucos, nem tão brilhantes e sequer diários. Mais tarde, tentei usar o twitter para compartilhar gostos musicais, divulgar as músicas que aprecio. Assim,

10h56: Ouvindo Abertura Leonora nº3, Op.72a, de Beethoven
14h20: Ouvindo: “Belle nuit, ô nuit d’amour” (a ária "Barcarola" no 4° ato da ópera Les Contes d’Hoffmann, de Jacques Offenbach).

Pior, conseguiu soar mais falso ainda. Porém, sei que o twitter das pessoas mais célebres ou que viveram os momentos mais vibrantes da História também seriam enfadonhos. Luís XIV, em uma entrada rápida no seu diário, fez um comentário digno de twitter:

14 de julho, 1789: Saí para caçar à tarde. No mais, dia normal.

Deliro, pensando em como seria entediante o twitter de Nietzsche:

9h18: café da manhã na pensão em Sils-Maria
9h43: pensando
11h01: passeio à beira do lago
13h15: pensando mais um pouco
14h32: almoço seguido de sesta
16h41: pensando de novo
16h53: dor de cabeça
18h09: happy hour com Lou Salomé
20h46: pensar até dormir
.
Isso quando a tecnologia não vira um fim em si mesmo:
.
8h15: checando email
9h14: atualizando blog
9h45: vendo o orkut
10h03: checando twitter
10h47: checando G-mail
11h15: usando bluetooth
11h36: atualizando facebook
12h32: checando twitter
13h32: vendo o myspace
14h01: falando no skype
14h31: consultando o blackberry
14h44: checando o twitter

No fundo, o twitter satisfaz nossa ânsia por publicidade: queremos ser públicos, queremos ser acompanhados, queremos ter platéia (no horizonte, há um mesmo desejo: o que queremos mesmo é ser amados). Sei que não sou artista de cinema, astro da música ou jogador de futebol, então eu entro no twitter. E, ao entrar, descubro que as coisas mais bobas da minha vida podem ser interessantes, simplesmente porque agora são públicas.

Participamos do twitter pelo mesmo motivo que assistimos Big Brother (“assistimos” quem, cara pálida ?), ou vemos novela. Sabemos que é meio bobo, mas o twitter possibilita o jogo da mimese, da comparação, seja através da identificação ou da negação. Será que passamos o tempo todo nos colocando nas mesmas situações vividas pelos membros do twitter, assim como comparamos nossa vida com a dos personagens da novela ou do Big Brother ? (ué, “personagens” do Big Brother ? Mas eles não são pessoas reais ?).

Talvez o twitter, por mais imaterial que seja, nos permita recuperar algum sentido para a realidade, algo que foi perdido em algum momento lá pelo século passado.

.....................

PS.: Pinçado em um twitter por aí: “Estranho como a gripe aviária, vaca louca e agora a pandemia do porco não atingem o mundo corporativo, onde a fauna e flora são completas”.

Em tempos de Tamandaré, o melhor professor de História. #fato

Sábado, 20 de Junho de 2009

Opiniões

Nesses dias tenho sido bombardeado por críticas e murmurinhos. A verdade é que estagiar tem sido algo fora do comum, diferente. Quando passei na seletiva, pensei que logo me adaptaria e que conseguiria tirar de letra minhas funções no exercício administrativo. No entanto, deparo-me dia-a-dia com críticas e, às vezes, até com broncas e caras feias. Realmente, subordinar-me é difícil.

Entretanto, minha expectativa é de melhoras. Apesar das chamadas e puxões de orelha, tenho visto, claramente, que preciso melhorar em inúmeros/incontáveis aspectos. Haja vista o número de chamadas que recebo da minha supervisora. Tomara que minha flexibilidade seja provada e que minha vontade em ser alguém melhor seja refletida em resultado, de alguma forma.
Saí um pouco do motivo real do post. Logo, volto.
Esse post tem como intuito abrir espaço para dicas, perguntas e opiniões. O blog foi construído para minhas pequenas reflexões e algumas coisas que encontro pela internet, o que não me impede de mudar o foco. O que seria legal ver no blog? O que você não suporta mais ver por aqui?
Fica aí o meu pedido. Contribuam com críticas que façam do doakamine um blog melhor. (deixe sua opinião nos "comentários")
E ah! Logo teremos umas novidades aí, aguardem!

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Hu(s)manos

amizade. em livros. da caneca. a la crombie. fireworks. um sapo. um celular inv95. notebook sem memória ram. rascunhos. livros. idéias e câmera acidentada; fazem parte do nosso percurso humano, de manos.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Razoabilidade

"Crer no sobrenatural não é simplesmente crer que, depois de viver aqui uma vida bem-sucedida, material e razoavelmente virtuosa, a pessoa continuará a existir no melhor substituto possível para este mundo, ou que, depois de viver aqui uma vida de privações e necessidades, a pessoa receberá compensação de todas as coisas que não experimentou: é crer que o sobrenatural é, aqui e agora, a maior das realidades."

- T.S. Eliot

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Art

TITI FREAK (indicação do meu amigo andré.)

Domingo, 14 de Junho de 2009

Capítulo 3 - Interview

Acordei cedo. O fim de semana fora muito bom devido a livros ganhos em promoções via twitter e a umas gargalhadas no "Crônicas - Fulano di Tal". Apesar das segundas-feira serem, geralmente, indesejáveis, essa parecia-me diferente. Ainda que eu tivesse que estudar para uma prova de estatística, animava-me a idéia da segunda fase da seletiva para estágio.
Pelo fato da entrevista ser no período da tarde, passei a manhã inteira na biblioteca perto de casa, com o intuito de estudar para o teste estatístico. Para falar a verdade, não conseguia estudar direito, tamanha era a minha ansiedade para a entrevista.
Voltei para casa, almocei e logo estava pronto para a entrevista. Calça bege-escuro, camisa branca e um sapatênis faziam parte do meu traje, nada muito formal, mas também, nada muito despojado. Cheguei ao local da entrevista em cima da hora, no entanto tive que esperar a psicóloga responsável pela seletiva por uns 10 minutos. Nesse meio-tempo, tomei uns copos de água e informei-me melhor, por meio de folders, a respeito da empresa na qual, possivelmente, trabalharia. Passados os dez minutos, um tanto quanto afoita e preocupada a psicóloga chega com uns papéis em mãos. Ela pede-me para acompanhá-la até uma sala logo em frente e pergunta-me se estou "nervoso"; respondo que não e ela inicia a entrevista verificando se todos os meus dados estão corretos.
Senti-me bem durante a entrevista e com liberdade, até exagerada, para responder às perguntas. Uma das perguntas mais difíceis que tive que responder foi: "Qual é o seu objetivo de vida?". Digo isso, porque quando pego de supetão a gente, quase nunca, consegue responder da forma que gostaríamos. E assim foi. Diante desse questionamento; gaguejei, pensei e respondi: "cumprir a vontade de Deus". Não que eu me arrependa pela resposta, até porque esse realmente é o meu objetivo de vida, mas lembrando-me da reação da examinadora questiono-me sobre o politicamente correto em não misturar crença com profissão. Enfim, deixei de lado, se fora considerado deslize, que seja; ao menos fora sincero.
Após outras perguntas de menor grau, a psicóloga instruiu-me a esperar até quarta-feira para que eu pudesse voltar até a empresa e, assim, conhecer a futura função. Despedi-me da moça-examinadora e na saída do prédio, deparei-me com o rapaz que na entrevista anterior estava desinteressado e encostado na parede fria-creme; ele seria o próximo na entrevista. Olhei torto e pensei qual era o critério de escolha para um bom candidato; certamente, eu desconhecia.
Voltei aos estudos e fiz a prova. À princípio, pensei que garantiria uma boa nota. No entanto, no transcorrer da prova percebi que sabia pouco e que o pouco não seria o suficiente para a média. Saí cabisbaixo da prova. A segunda-feira que deveria ser descrita com entusiasmo fora uma decepção, a incerteza da entrevista e o mau desempenho na estatística levaram-me a uma ansiedade desnecessária e chata. Ainda que os motivos tenham sido triviais, angústia e um pouco de decepção já estavam bem dosadas para a semana.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Top Five Maio 2009

Começo de mês e aquelas listinhas doakamine. Para esse Top Five indico:

1º Livro: Ortodoxia - G.K Chesterton. (muitíssimo bom, na mesma linha do "Como os pinguins me ajudaram a entender Deus". Lição de espiritualidade.)
2º Seriado: LOST. (piração! 5ª temporada é sensacional.)
3º Texto: A Cruz de Cristo e a espiritualidade cristã - Ricardo Barbosa de Souza. (mais um Ricardo que escreve legal.)
4º Teatro: Crônicas - Fulano di Tal. (divertidito. muito bom!)
5º Pregação: Porque morrer gera VIDA - Min. Livres para adorar. (cool.)

Maio foi legal. Mês bom.

Sábado, 6 de Junho de 2009

Não é justo

Já ouvi gente se queixando de que, se Jesus era tanto Deus quanto homem, então os seus sofrimentos e a sua morte perderiam todo o valor a nossos olhos, já que "para ele deve ter sido fácil". Outros poderiam (com muita propriedade) censurar a ingratidão e falta de graça dessa objeção. O que me abala nisso tudo são os mal-entendidos a que isso leva. Em certo sentido, os que assim pensam estão corretos. Eles entenderam bem a questão. A submissão perfeita, o sofrimento pleno e a morte perfeita foram mais fáceis para Jesus porque ele era Deus e, ao mesmo tempo, só foram possíveis porque ele era Deus. Contudo, essa não é uma razão um tanto estranha para não aceitar o que ele fez? O professor é capaz de desenhar as letras para uma criança porque ele é adulto e sabe escrever. Isso, sem dúvida, torna tudo mais fácil para o professor; e só porque é mais fácil para ele é que ele pode ajudar a criança. Se esta o tivesse rejeitado porque "é fácil para os adultos" e esperasse até aprernder a escrever com alguma outra criança que não soubesse isso, ela não avançaria muito rápido. Imagine que eu estivesse me afogando num riacho e que uma pessoa, que ainda tivesse um dos pés na margem, pudesse me dar uma mão que salvasse a minha vida. Será que eu teria o direito de gritar de volta (quase me engasgando): "Não, não é justo! Você está em vantagem! Você está com um pé na margem!"? A vantagem - chame-a de injusta, se quiser - é a única razão pela qual ela pode me ajudar.
Onde você acha que poderá achar ajuda se não fixar os olhos no que é mais forte do que você?

C. S. Lewis, em Cristianismo Puro e Simples.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Contingência e o vôo 447

Por: Ricardo Gondim

O mundo está em choque. De novo a contingência mostra sua cara na tragédia do vôo da Air France. Vale lembrar: contingência significa que os acontecimentos não são sempre necessários. Quando ocorre alguma coisa sem uma razão que a explique ou justifique. Contingência gera imprevisto; fatos que escapam à engrenagem da causa e do efeito. Um avião cai porque o mundo é contingente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus.

Diz-se no senso comum que as pessoas só morrem quando chega a hora. Caso isso fosse verdadeiro, o destino reuniu em uma aeronave as pessoas que deveriam morrer naquele dia. Isso daria à fatalidade um poder apavorante. Impossível pensar que gente de mais de trinta países entrou no vôo 447 sem saber que obedecia a uma força cega, que determinava aquele como o último dia de suas vidas.

Igualmente, acreditar que Deus permite a queda do avião porque tem algum propósito, soa esquisito. Cada pessoa, com histórias, projetos, sonhos, foram arrancadas da existência para que se cumprisse qual objetivo? Um objetivo macro? Isto é, para que a humanidade aprendesse ou se arrependesse? Isso faria com que as biografias fossem descartáveis, desprezíveis. O Divino Oleiro, sem precisar se explicar, afogaria tanta gente para conduzir a macro história para o fim glorioso? Sim? Mesmo que exista esse deus, eu não o quero.

Também, algumas pessoas aceitam que Deus tem um plano para cada morte individual. Verdade, ele é Deus, tem todo o poder e é capaz de reunir, em um só lugar, quem deveria morrer. Mas também é bom. Então todos os passageiros foram eleitos para cumprir qual bem? Satisfaz pensar que o bem de ceifar tantas vidas, mesmo sem nenhum sentido do lado de cá, na eternidade está garantido? (Deus sabe o que faz?!?!) Como explicar tal conceito para pais, filhos e parentes desolados? Todos acorrentados à trágica realidade que lhes roubou de seus queridos.

A idéia de que Deus tem um plano para cada morte se esvazia diante dos números. Um avião caiu, mas o que dizer dos incontáveis acidentes de todos os dias? O que dizer das balas perdidas que aleijam transeuntes? E dos erros médicos ou dos acidentes de trânsito? Recentemente uma senhora de nossa comunidade caiu da laje da casa em construção. Ela fotografava a obra para que a filha ajudasse com as despesas do acabamento. Quebrou a coluna e ficou paraplégica. A última explicação que se poderia dar é que Deus tinha um plano em deixá-la aleijada.

Jesus nunca cogitou o mundo sem contingência. Pelo contrário, não atrelou a queda de uma torre aos desígnios divinos; não disse que a cegueira do homem era consequência causal das ações interiores, dele ou de seus pais; advertiu que os seus discípulos enfrentariam tempestade, aflição e morte.

Contingência é o espaço da liberdade, portanto, da condição humana. Sem contingência nos desumanizaríamos. A consciência do risco de adoecer e da imprevisibilidade da morte súbita é o preço que pagamos por nossa humanidade.

O desastre do avião mostra a inutilidade de pensar que o exercício correto da religião e a capacidade tecnológica mais excelente sejam suficientes para anular a contingência. Nossa vida é imprecisa e efêmera. Portanto, vivamos intensamente. Cada instante pode ser o último – Carpe Diem!


Soli Deo Gloria

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Livros lidos em Maio

Maio não teve o rendimento crescente dos meses anteriores, no entanto boas leituras foram realizadas. Ganhei o "Confiança cega" da editora Mundo Cristão e os livros "A vida do artista" e "Walk On" da W4, ambos em promoções via Twitter. Dizem que perdi alguns followers por causa dessas empreitadas. Valeu a pena.
Segue portanto a lista do que li em Maio:

Memórias de minhas putas tristes - Gabriel Garcia Marquez
Ortodoxia - G.K Chesterton
O mundo é plano - Thomas L. Friedman
Guerreiros da Luz vol 2 - Daniel Mastral
Tá frio e estou com preguiça de fazer um resumo. Só digo que vale a pena conferir o "Ortodoxia" e "O mundo é plano", dois ótimos livros. Os outros dois são bons, e só.

Domingo, 31 de Maio de 2009

Capítulo 2 - Grandes esperanças

Acordei umas 7:00. Estava um pouco ansioso. Da última vez que eu participara da seleção de estágio, as coisas não saíram conforme o esperado. Vesti uma camisa branca, jeans e um tênis com cara de sapato. A rua já estava movimentada e uma brisa matutina rolava pelo ar. O sol já reinava, em meio a um céu límpido e azul. Típica manhã, bela manhã. Não fosse pelo frio-na-barriga, eu pararia e admiraria as obras do Criador. Ainda que meu foco estivesse na entrevista, recordei-me do telefonema do dia anterior e de como a expectativa sobre uma possível contratação se fazia crescente.
Há algum tempo parei de sonhar. Minhas expectativas sobre o futuro, por um certo tempo, não foram correspondidas da forma esperada, o que gerou, em algum lugar de mim, um pessimismo crônico. Talvez, devido a grandes decepções, optei por ser um negativista, alguém que estava ali, sempre, esperando o pior. Isso não é um negócio legal, pelo contrário, é chato. Minha vida com Deus foi afetada e, por vezes, deixei de ver Deus como esperança, mas como alguém que não compreendia os meus sonhos e os meus sentimentos, meu carrasco. Afinal, se Ele se importasse, as coisas, talvez, teriam tomado rumos diferentes; segundo o meu ponto de vista, é claro.
Fiz um parênteses somente para situar o leitor a respeito das minhas expectativas; sobre como que, ainda que pessimista, a gente leva ali no âmago um pequena reserva de esperança. Ninguém é pessimista o suficiente para não esperar algo melhor no futuro. Dizem as más línguas que essa categoria de pessoas é chamada de "classe média". Enfim, deixemos as reminiscências introspectivas de lado e voltemos à narrativa.
Cheguei ao saguão principal do prédio da FIEMS, onde alguns poucos candidatos se acomodavam nas poltronas disponíveis. Lembrei-me que da última vez que fizera a seletiva, o número de candidatos/vaga era maior, o que me deu um ânimo a mais. Sentei-me. Puxei o "Mundo é plano" para que a tensão pudesse se esvair na leitura. No entanto, pensei que essa atitude de ler antes de uma entrevista pudesse soar como arrogância. Então, optei por abortar a tentativa de distração e tentar me concentrar nos possíveis testes seletivos. Às 8:30 em ponto, a pessoa responsável pela seleção pediu para que os candidatos a seguissem até uma outra sala. A psicóloga era a mesma que havia me reprovado na vez anterior, no entanto, pensei: "talvez, dessa vez, ela me aprove". Acomodei-me numa das cadeiras enquanto ouvia a algumas instruções referentes ao estágio. Descobri que havia duas vagas de estágio para rapazes e apenas uma vaga para as moças. O que me animou, já que, somente, cinco homens participavam da seleção.
O clima era leve, apesar da tensão. Havia ali vários tipos de candidatos. Uma mulher com seus 38 anos disputava a vaga de estagiária com uma garota de cabelos longos, enquanto um rapaz meio desinteressado, um tanto sonolento, se escorava na parede fria-creme. Contrastes de uma estranha seleção. A psicóloga se pôs a trabalhar e iniciou uma maratona de testes. Devo ter escrito umas 3 redações, participado de umas 2 dinâmicas em grupos e feito uns 4 testes. Bastante coisa para duas horas. Saí do teste com a consciência leve, sabendo que o melhor havia sido feito.
Voltei para casa, descansei o resto da tarde e tirei um cochilo. Acordei com o telefone tocando. Atendi.
- Gostaria de falar com o Raphael Akamine.
- Pois não.
- Então, gostaria de convocá-lo para a segunda fase da nossa seleção aqui na FIEMS. Ela será na segunda-feira às 13:20. Tudo bem para você?
- Tudo sim. Estarei lá, obrigado. - falei com tom de alegria e surpresa.
Grandes esperanças. Plágio-Dickens. Tudo ficaria para a semana que vem, em dia de sexta-feira, poucas coisas se resolvem.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Sobre pessoas


às vezes, sinto falta de pessoas. às vezes, tenho preguiça delas.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Capítulo 1 - O jejum

"Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia." Atrevendo-me a citar Shakespeare, começo o primeiro capítulo de uma série sobre esse sentimento que por vezes tem me guiado, o saber. É um sentimento da existência de Alguém em algum lugar que, sensivelmente, diz-me: estou contigo por onde quer que andares; oberdece-me e verás minha destra fiel.
Tudo começou com um jejum. Há algum tempo não jejuava, não pela incredulidade, mas pela preguiça. Confesso que, por vezes, tenho deixado-me levar pela rotina, pelos problemas do dia-a-dia e, muitas vezes, pelas armadilhas recorrentes. Não por falta de zelo à minha vida espiritual, mas pelas constantes dificuldades que venho enfrentando. Há vezes em que meus pensamentos dão-se nó. Quase piro. Disseram-me que penso demais, e que isso não é muito bom. Entretanto, descubro, a cada reflexão, um Deus que se importa com meus sentimentos, dizendo-me: "assim como os céus sãos mais altos que a terra, (...) assim são os meus pensamentos mais altos que os vossos pensamentos."
Aderi ao jejum. Seria bom colocar minhas idéias em ordem, tempo de oração e Palavra. Quem sabe, assim, Deus não ouvia às minhas orações; quer dizer, quem sabe assim eu não levava um cotonete espiritual e ouvia com mais atenção às instruções do alto. Eu faria jejum de café da manhã e almoço e consagraria o jejum na festa de aniversário da minha prima. Fui até uma biblioteca perto de casa e aproveitei para estudar algumas coisas pendentes. Ao meio-dia, tirei um tempo para meditar e orar; uma boa troca, o almoço ficaria para o outro dia. Lá pelas tantas, orei sobre um estágio/concurso. Algo que fosse da vontade de Deus e que me possibilitasse abençoar outras pessoas, em especial à minha família. Deixei. Terminado o meu tempo devocional, fui até o balcão da biblioteca renovar o livro emprestado que estava sendo degustado. De volta à mesa em que eu deixara as minhas coisas, percebi a luz do celular acesa. Os mais próximos conhecem minha dificuldade em atender a telefonemas. Estranhei. Não havia nome, somente números. Hesitante, atendi.
- Alô, gostaria de falar com o Raphael Akamine.
- Pois não.
- Sou da Casa da Indústria e gostaria de convocá-lo a uma seleção que ocorrerá amanhã às 8:30 na sede da IEL.
- Ok. Estarei lá. Obrigado - desliguei.
Impressão minha ou Deus estava abrindo uma porta?

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

A cruz de Cristo e a espiritualidade cristã

Por: Ricardo Barbosa de Sousa

Tenho, nos últimos anos, refletido sobre a espiritualidade cristã. Minha preocupação está voltada para a apatia espiritual, a falta de integridade e coerência entre nossas convicções e a vida, a distância entre a teologia e a oração, e o chamado de Cristo para amar a Deus com a mente e o coração. Embora este tema tenha tomado outros rumos e provocado outros interesses, nem sempre fundamentados na Bíblia ou na longa tradição cristã, ele segue sendo um grande desafio para os cristãos do século 21.
Para manter o foco numa espiritualidade cristã e bíblica, é preciso reconhecer a centralidade da cruz. A cruz de Cristo foi única no sentido de que representou uma escolha, um caminho que Jesus decidiu trilhar: o caminho da obediência ao Pai. A espiritualidade cristã requer obediência. Sabemos que no tempo de Jesus existiram muitas outras cruzes e muitos que foram crucificados nelas; alguns culpados, outros martirizados. No entanto, nenhuma delas pode ser comparada com a cruz de nosso Senhor em virtude daquilo que ela representou.
Podemos considerar que a cruz de Cristo começa a ser carregada no episódio da tentação. Ali, o diabo propõe um caminho para Jesus ser o Messias. Um caminho que representou uma forma tentadora de ser o Messias. Transformar pedras em pães, saltar do alto do templo e ser amparado por anjos, e receber a autoridade política e financeira sobre os reinos e as nações. Se Jesus aceitasse a oferta do diabo, rapidamente teria uma multidão de admiradores, de gente faminta encontrando pão nas ruas e estradas, encantada com seu poder sobre os anjos e os seres celestiais e com seu governo mundial estabelecendo as novas regras políticas e econômicas. Seria o caminho mais rápido para implantar seu reino entre os homens.
Porém, o caminho de Deus não era este. O reino que ele oferece precisa nascer primeiro dentro de cada um. As mudanças não acontecem de cima para baixo nem de fora para dentro. É um reino que vem como uma pequena semente e leva tempo para crescer. Não é imposto, é aceito. Não se estabelece pela força do poder, mas pelo coração e mente transformados. O rei deste reino não permanece assentado no seu trono, mas desce e se torna um servo.
A cruz de Jesus não significou apenas o sofrimento final do seu ministério público. Ela representou uma escolha que o acompanhou por toda a sua vida e que culminou em seu sofrimento e morte. Quando Jesus nos chama para segui-lo, ele afirma que, se não tomarmos nossa cruz, não será possível ser seu discípulo. A razão para isto é clara. Se o caminho dele é o caminho do servo obediente, o nosso não pode ser diferente. Por isto, precisamos tomar nossa cruz, e ela deve representar também nossa escolha, que é a mesma que ele fez -- uma escolha pela renúncia e pela obediência ao Pai.
O apóstolo Paulo entende o chamado de Jesus para tomar a cruz e segui-lo quando afirma: “Eu estou crucificado para o mundo e o mundo está crucificado para mim”. O caminho do mundo ensina: “Ame seus amigos e seja indiferente com os outros”. O caminho de Jesus diz: “Ame os inimigos e ore por eles”. No caminho do mundo ser o maior e o melhor é o mais importante. No caminho de Jesus o melhor é ser o menor e o servo de todos.
Podemos achar que o caminho de Cristo é muito difícil, que amar os inimigos, orar pelos caluniadores, ser manso num mundo competitivo, humilde numa sociedade ambiciosa, não é só difícil -- é impossível. Concordo, por isto o chamado é para tomar a cruz. A cruz significa renúncia, sofrimento e morte.
As opções estão diante de nós diariamente. Todos os dias somos levados ao monte da tentação. Todos os dias o diabo nos oferece suas ofertas e seu caminho, e Deus, pela sua palavra, nos revela seu caminho. Todos os dias temos de fazer nossas escolhas. Tomar nossa cruz é aceitar o caminho de Cristo, e neste caminho experimentamos uma espiritualidade verdadeira.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

Domingo, 24 de Maio de 2009

No processo de seleção para estágio [2]

- Qual o seu objetivo de vida?
- Cumprir a vontade de Deus.
- Ahn? É isso mesmo que você quer que eu coloque?
- Não pode? - será que não podia falar isso? - Pensei.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Prefácio

São 11:40 hrs. Aproveito a espera do almoço para tentar resumir o que se passou nessa última semana. Para mim, todas as experiências que tive trouxeram-me a certeza de que existe um Deus que cuida de mim e que, sim, importa-se comigo. Um Deus pessoal, íntimo. Talvez, você possa pensar que eu vá espiritualizar muito sobre os acontecimentos ocorridos, mas confesso a vocês, de ante-mão, que eu também não tenho acreditado muito que as minhas orações têm sido respondidas de forma tão rápida e precisa. Recordo-me do livro "Como os pinguins me ajudaram a entender Deus" em que Donald Miller descreve a sua fé como um sentimento de, simplesmente, saber. Assim como a exatidão dos pinguins que voltam pontualmente aos seus ninhos quando seus filhotes nascem, esse sentimento de saber guia-me a confiar em um Deus que enxerga além do que os meus olhos podem ver, um Deus atemporal que vê o futuro como um presente. - se você não entendeu a analogia, leia o livro "Como os pinguins me ajudaram a entender Deus" ou então leia o trecho inicial dela. Penso que nesses dias tenho sido guiado por esse sentimento de "saber" que, na medida em que obedeço, faz-me ver a glória de Deus.
PS: Prefácio - minhas observações sobre a boa-obra do Criador.

To be continued...